quinta-feira, 23 de abril de 2009

That's no my name.


Eram poucos os homens ali presentes que tinham ouvidos boms o suficiente para escutar a mata.
Escutar os grunhidos, gemidos e urros dos animais apavorados com a chegada daqueles monstros que faziam suas amigas perderem o equilibrio e, de forma que nunca tinha visto antes, cairem uma após a outra, abrindo um espaço desgraçado, abrindo passagem para outras feras ainda mais vorazes que destruíam tudo oque tocavam.
Bichos de ferro que cravavam dentes em arvores que nada de ruim tinham feito para eles.
Bichos famintos que iam acabando com tudo pela frente, acabando com qualquer coisa, sem parar, sem respirar.
Maldade pura.
Os bichos da selva se assustavam com o bicho homem.
O barulho invasor dos tratores e das serras, dos motores e dos aviões espalhavam-se por todos os cantos, infiltravam-se na mata e viajava para os fundos escuros e inexplorados da Amazônia.
Chegavam em grotas onde poucos ou talvez nenhum ser humano tivesse posto os pés no passado.
Acordavam onças, acordavam serpentes, levantavam tucanos, debandavam dúzias de espécies de macacos e despertavam guardiões que não era surdos ás serras nem aos tratores.
Os seres humanos estavam invadindo um território sagrado, que deveria permanecer intocado a qualquer preço.
Trecho do livro:
O turno da noite vol.3 O livro de Jó.
André Vianco.
P.S: NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA.

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